sábado, março 15, 2008


Um sábado qualquer antes do Domingo de Páscoa... na minha época...

Como tenho feito nos últimos dias, mais uma vez antes de dormir, coloquei o relógio para despertar cedo, algo em torno de oito horas da manhã. Um breve comentário - essa hora para algumas pessoas pode ser "tarde", mas no meu caso significa "cedo", em alguns momentos muito cedo.

Como de costume, acordei, olhei para o celular e pensei: muito cedo, mais cinco minutos. Ou seja, lá pelas dez eu estava despertando e começando a pensar nas coisas que tinha pra fazer.
O tempo chuvoso me mandava uma mensagem subliminar... fique na cama, não faça nada o dia inteiro, apenas descanse.

Mas, acabei optando por ignorar essa mensagem e portanto resolvi arcar com meus compromissos. Dentre as inúmeras coisas que eu tinha planejado para aquela manhã de sábado estava ir as compras para a páscoa! E lá fui eu, escolhi a roupa mais confortável do meu guarda roupa - depois de uma semana usando salto alto, só queria saber de jeans e um bom tênis - coloquei o guarda chuva na bolsa e me armei de disposição já pensando nas filas que iria enfrentar nas lojas.

Depois de resolver coisas elementares, passar no banco, olhar as lojas de roupas, enfim de me distrair com amenidades, tomei coragem e fui pesquisar os preços de ovos de páscoa. Sou o tipo de consumidora chata, que pesquisa preço de tudo, e muitas vezes compra o mais caro, caso isso represente mais rapidez na hora de pagar e nada de filas.

Entra em loja e sai de loja, tomei um susto. Os preços estavão bem mais elevados do que no ano anterior. E comecei a analisar os benditos ovos de páscoa. Tenho cinco crianças lindas, três sobrinhas e dois sobrinhos - ok, um ainda está na barriga da mãe - meus pais, irmãos e um amigo oculto para agradar. O primeiro grupo - minhas crianças lindas - é o mais difícil e mais caro também.

Comecei a ver os ovos de páscoa e quase me perdi em meio a tantas opções.
E ao quase me perder acabei me dei conta de como o comércio e a sociedade capitalista conseguiram deturpar as datas festivas e seus símbolos (e não é papo de historiador comunista eu juro!).

Os tradicionais e deliciosos ovos de páscoa mudaram tanto, o chocolate passou a ficar em uma espécie de segundo plano pouco honroso. O destaque passou a ser para o conteúdo dos ovos, muitos brinquedos e acessórios inúteis. Ovo da Bratz... um gloss ou uma bolsa (?)... Ovo das Princesas... um carimbo... Ovo trakinas (biscoito também viro ovo de páscoa agora)... um objeto que não consegui identificar mas que atira água nas pessoas... Ovo Capricho (na minha época isso era marca de revista de adolescente)... um rádio (!?!)... e por aí vai...

Conclusão, o tradicionais ovos de páscoa viraram meros coadjuvantes frente à uma gama de bugingangas que os acompanham. E o tamanho dos ovos que contém os benditos "brinquedinhos" não faz jus aos seus salgados preços, ou seja, menos chocolate, mais tralhas.

Sim, pois agora se escolhe ovos pelos "brindes", que passaram a ter um lugar de destaque, a criança não escolhe o ovo pelo tamanho, pelo sabor do chocolate, escolhe apenas o "brinde" que mais lhe agrada e que as outras crianças vão ter e ela terá que possuir também. Nos corredores da loja, crianças acompanhavam os pais - ou seria ao contrário em alguns casos? - e escolhiam de forma autônoma os "brinquedos" que iam levar, cheguei a ouvir o apelo de uma mãe:

- Minha filha, esse ovo é muito caro, mamãe não pode levar...
- Mas eu quero esse, quero a barbie que vem dentro!
- Filha, esse ovo é mais caro por causa do brinquedo, o tamanho do brinquedo e do ovo em si é até pequeno...
E a filha respondeu resoluta, dando fim a conversa:
- Mamãe, não quero saber do tamanho do ovo, nem gosto muito de chocolate, quero é a barbie seja de que tamanho for...!!!
Ou seja, pouco importava o ovo de páscoa e o chocolate, a páscoa vira mais uma "compra de brinquedos". O que significa a páscoa, o ovo de páscoa, a intenção das pessoas que trocam lembranças nessa data, isso a maioria nem se dá mais conta. A história, o significado, os valores, tudo está se perdendo no tempo.

E me lembrei de toda aquela história dos símbolos, de como os ovos são apenas símbolos dentre tantos outros e do verdadeiro significado da páscoa: uma festa do calendário cristão - judaico também - que comemora a ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação. Um feriado mutável no nosso calendário cristão, imbuído de valores da família, da união entre as pessoas.

Lembrei dos coelhinhos pra pintar na escola, das aulas de catecismo, da missa de domingo, dos almoços de família, da ansiedade para abrir a "páscoa" que ganhei...
E notei que cada vez mais os significados são esquecidos e os valores sofrem mudanças constantes. E o pior de tudo, comecei a notar que o tempo passou, o meu tempo passou...

Depois de muito olhar, pesquisar, fazer uma breve reflexão sobre o assunto, resolvi parar por aí quando me peguei formulando aquelas máximas de pessoas que estão envelhecendo... na minha época não era assim...

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