quarta-feira, setembro 10, 2008

A Comunicação Na Vida Conjugal

A comunicação é mais abrangente e complexa em nossas vidas do que nos damos conta, ao falarmos emitimos também as nossas preocupações, sentimentos, a visão de nós e do outro. Atrás de uma palavra ou expressão enviamos tantas mensagens, o outro que nos ouve poderá compreende-las influenciado por seus pensamentos e sentimentos. Quando conturbada pode levar um casal a situações pouco confortáveis e até mesmo a separação. Quando as pessoas se unem, namoro, casamento e os diversos arranjos conjugais, ambas possuem características próprias de expressar o que sente e pensam, que absorveram ao longo da vida com suas famílias e outros relacionamentos, já estão treinados e habituados. Ao se relacionarem com seus parceiros no intuito do cultivo do amor e a vida a dois, o amor não serve de tradutor e nem de cola se a comunicação está em déficit. Então se inicia o desencontro, quando um fala o outro não ouve, um simples pedido soa como uma ordem, uma reclamação sugere insatisfação e desqualificação. São inúmeras as situações cotidianas onde a comunicaçãoo passa a ser utilizada como uma arma na luta de poder entre o casal levando-os a uma escalada de discussões estressantes e intermináveis, tornando-os tão envolvidos em quem está com a razão, impedindo desta maneira o cultivo do diálogo e do entendimento de significados de cada um, não observando como o outro a recebe, se refugiam em seus mundos. Deste modo a relação já esta contaminada pelo não dito e pelas frustrações e mágoas que se acumulou em cada parceiro, neste momento qualquer palavra, gesto, olhar, atitude poderá contribuir para um ciclo vicioso, que se alimenta a cada movimento do casal mantendo-se como uma dança que o casal constrói por anos, até ocorrerem fatos na vida que exija do casal um rearranjo, podendo leva-los ao seu reencontro ou desencontro. Se a comunicação conturbada adoece o relacionamento, os diversos rios que alimentam esta relação, como interesse mútuo, admiração, confiança, fidelidade, perspectiva de futuro, construção da felicidade, interesse sexual e o amor adoece junto. Não pretendo insinuar que a paixão não resiste ao desgaste do cotidiano, sugerir que, com o passar do tempo, uma história de amor perde o brilho, falar de tédio e afastamento, de desencanto e ilusões perdidas. Não tem de ser assim! Fomos embalados pelas histórias de príncipes e princesas que marcaram nossa infância, acreditamos que o casamento é uma garantia de eterna completude e que o encontro amoroso trará a segurança de um afeto incondicional e a excitação do mistério, sem perder jamais o brilho do efêmero. Mas a construção do amor se faz a cada dia. Os perigos se renovam, mudam de aspecto. É preciso estar alerta, para não se deixar seduzir pelas armadilhas da comunicação; é necessário ser forte e valente, para não ser tragado pelas areias movediças da mesmice. Sobretudo, é preciso ser sábio para reconhecer esses inimigos - que se escondem atrás de máscaras inocentes, como as contínuas concessões ao tédio, "os pequenos descuidos para com o outro". O diálogo é rico na manutenção do vínculo amoroso proporciona o respeito mútuo das características de cada um, o fortalecimento de suas afinidades, ele deve ser um alimento que se come junto para a continuidade e qualidade da relação.

Margarete Volpi Arantes (Terapeuta Familiar e de Casais)

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